quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Amor não convencional





(...)
Yo no quiero vecínas con pucheros;
Yo no quiero sembrar ni compartir;
Yo no quiero catorce de febrero
Ni cumpleaños feliz.

Yo no quiero cargar con tus maletas;
Yo no quiero que elijas mi champú;
Yo no quiero cortarme la coleta,
Mudarme de planeta,
Brindar a tu salud.

Yo no quiero domingos por la tarde;
Yo no quiero columpio en el jardin;
Lo que yo quiero, corazón cobarde,
Es que mueras por mí.

Y morirme contigo si te matas
Y matarme contigo si te mueres
Porque el amor cuando no muere mata
Porque amores que matan nunca mueren.

Yo no quiero juntar para mañana,
No me pidas llegar a fin de mes;
Yo no quiero comerme una manzana
Dos veces por semana
Sin ganas de comer.
(...)
Yo no quiero saber por qué lo hiciste;
Yo no quiero contigo ni sin ti;
Lo que yo quiero, muchacha de ojos tristes,
Es que mueras por mí.

Y morirme contigo si te matas
Y matarme contigo si te mueres
Porque el amor cuando no muere mata
Porque amores que matan nunca mueren.

(Joaquín Sabina)



domingo, 11 de fevereiro de 2018

O domínio do silêncio


Um filme de Spielberg, com Meryl Streep e Tom Hanks é uma aposta ganha à partida, seja qual for o seu assunto. Porque Meryl Streep é, reconhecidamente e de forma quase unânime, das melhores actrizes da actualidade (para mim a melhor de todas), daquelas que fazem tudo bem feito. Mas é, creio, na forma como a sua presença se impõe no silêncio que reside a sua grande força. É isso que nos prende e emociona. Pelo menos foi o que fiquei a pensar, hoje, quando vi The Post.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Autenticidade




Perguntamo-nos, provavelmente, qual será o segredo desta navarra de 19 anos que apaixonou Espanha inteira, e o mundo que seguiu emocionado os três meses e picos que durou a nona edição de Operación Triunfo, e que terá sido, talvez, a que teve mais êxito e qualidade musical; e humana, que é afinal a que mais importa.
Também eu me sentei durante catorze semanas seguidas na frente da televisão às segundas-feiras à noite, de onde quase não me mexia, nem sequer  atendia o telefone, para me deixar levar nessa viagem musical cheia de bom gosto e de talento, onde, semana após semana, Amaia Romero se foi destacando, pela excepcionalidade das suas interpretações, pela sua transformação em palco, pela magia de cada actuação, diante da qual é impossível não nos deixarmos levar com ela e emocionar-nos de igual modo.
Mas a graça e e o toque original desta pamplonesa é a sua imensa naturalidade e doçura, a sua desconcertante inocência, a mistura certa de à-vontade e timidez, a fazer lembrar um pouco Salvador Sobral.
Por isso tinha razão Joe Perez-Orive quando disse isto a Amaia: "en el mundo de la canción están los cracks, están los megacracks, están los supermegacracks y luego estás tú, Amaia" (...) ou isto: "voz reverberante, rotunda, segura y potente".
Para quem ainda não conhece Amaia, é urgente ouvi-la. E depois deixar-se "enganchar".
Em Maio, estará em Lisboa para representar Espanha na Eurovisão. A canção, em dueto com Alfred García, tem tudo para chegar longe: porque é simples e bonita, e porque traduz a história de amor dos dois, a qual fomos acompanhando desde "City of stars" e nos foi conquistando, como eles, à medida em que foi crescendo com o tempo e ficando mais forte e ainda mais encantadora.
O sucesso de Operación Triunfo é difícil de explicar para quem não acompanhou de perto este fenómeno. Mas ouvir Amaia cantar é único, porque ela tem o dom supremo de nos fazer acreditar no lado bom da vida e no poder da música de "chegar onde as palavras não chegam". Imperdível, pois, agora, e para sempre...


sábado, 6 de janeiro de 2018

Reis Magos


Há na maneira como os espanhóis mantém a tradição de fazer coincidir a troca de presentes com o Dia de Reis uma magia e encantamento que se aproxima muito mais da essência destas festas.
Sem descartar o inevitável consumismo, a chegada dos Reis a todas as cidades e a "Cabalgata de Reyes", a que costumo assistir através da TVE, traz de volta a emoção de todos se sentirem por momentos crianças outra vez e acreditar num mundo melhor.
E é enternecedora a ideia daquela viagem solitária e demorada, em camelo, através do deserto, apenas guiados por uma estrela, que os iluminava e lhes indicava o caminho. E a ilusão dos meninos que acreditam, que escrevem cartas com os seus pedidos, que deixam leite e bolachas aos Reis, esperando pelos presentes do dia seguinte. É a dimensão mais poética da festa, que alimenta o nosso imaginário, eterniza ilusões e nos devolve a nossa infância.
São coisas destas, e a forma alegre como vivem e aproveitam a vida, que faz com que me identifique muito com os nossos vizinhos do lado e me sinta sempre muito bem no meio deles.

domingo, 31 de dezembro de 2017

Ano Novo


Esta é a altura dos balanços e dos bons propósitos, dos desejos desmedidos e das intenções insensatas, de projectos e resoluções que se sabe que nunca serão cumpridos.
Não sou dada a grandes comemorações no final do ano. O primeiro dia de um novo ano não é para mim mais do que um novo dia, como cada um dos outros dias do ano. Sempre me irritaram um pouco as alegrias obrigatórias, aqueles dias em que todos se sentem mais ou menos forçados a mostrar-se contentes, a rir, saltar, comer, beber e dançar exageradamente, mesmo que a alegria seja de plástico e o brilho da festa sirva para mascarar o que não se quer enfrentar.
Gosto de deixar a minha felicidade e a minha euforia para os dias e momentos em que, por  motivos meu e não de toda a gente, ou até sem razão aparente, ou por qualquer situação repentina, sinta que tenho alguma coisa para celebrar.
Agrada-me, no entanto, a ideia de ter mais 365 dias inteirinhos, com 8760 horas  e mais minutos, com aquela carga de desconhecido que simultaneamente atrai e assusta, como tudo o que desejamos sem ter bem a certeza de  como é. Mas preciso de pouco: ter saúde - que é sempre o principal; e é imenso! - ter junto de mim os que amo e me são essenciais, conseguir ir fazendo de cada dia uma festa como a da passagem do ano, mas vivida pelo lado de dentro. 
E continuar a acreditar que o amor é o que mais importa e o que faz a vida valer a pena, nas suas milhentas formas, facetas e manifestações.

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

O típico filme da época


Cheio de amor e bons sentimentos, este é o filme típico da época natalícia, a puxar ao sentimento e  à lágrima furtiva, fazendo-nos alternar entre a emoção, o sorriso enternecido e a risada cúmplice. 
Impossível, no entanto, não se deixar tocar pela história de Auggie Pullman, pela sua luta face à discriminação de que é vítima, apenas por ter uma aparência diferente dos demais. Para isso muito contribui a interpretação de Jacob  Tremblay que já em Room (2015) provara que o talento não depende da idade, e também de Julia Roberts, Owen Wilson, e Izabella Vidovic nos papéis do núcleo familiar mais próximo (pais e irmã), e até da aparição pontual de Sónia Braga, no papel de avó materna. Um dos maiores interesses do filme reside no facto de nos ir dando diferentes pontos de vista, colocando a narrativa sob a perspectiva de algumas das principais personagens. Há uma grande sensibilidade na forma de contar uma história que facilmente poderia descambar para a caricatura, o dramatismo excessivo, ou o sentimentalismo piegas.
Wonder, traduzido como "encantador" e "extraordinário" no português de Portugal e do Brasil, respectivamente, acaba por ser um pouco isso mesmo: um filme de afectos, para ver em família, durante as férias de Natal.

domingo, 24 de dezembro de 2017

(in)fidelidade


No creo que haya nada malo en desear a otras personas. Nos han enseñado que si se quiere a alguien no puede apetecerte estar en una cama con nadie más. (...) Como teoria irrefutable nos la inculcan, pero yo aseguro que es falsa.(...)
A mi siempre me han atraído más la mujeres infieles, es la verdad. Mejor dicho, las que se atreven a serlo cuando lo desean. Las que nunca lo han deseado, no se lo han planteado o no lo han imaginado me interesan menos. No digo que sean peores - ni por supuesto mejores, como muchas veces se cree -, simplemente a mi las mujeres que no dudan me provocan cierta indiferencia. Cada uno tiene su moral, pero detesto los dogmas. He visto mujeres fieles que no suportaban a su marido y hombres que humillaban a su mujer sin plantearse marcharse con otras. Hay gente que considera que estar vivo es respirar; yo creo que estar vivo es desear.
                                                             
                       (Juan del Val)