terça-feira, 21 de março de 2017

A poesia está em todo o lado

Énivrez-vous
Il faut être toujours îvre, tout est là; c'est l'unique question. Pour ne pas sentir l'horrible fardeau du temps qui brise vos épaules et vous penche vers la terre, il faut vous énivrer san trêve.
Mais de quoi? De vin, de poésie, ou de vertu à votre guise...

                                                                                                  (Charles Baudelaire)

segunda-feira, 20 de março de 2017

Enfim, a Primavera


Le jour naît couronné d'une aube fraîche et tendre
Le soir est plein d'amour ; la nuit on croit entendre,
À travers l'ombre immense et sous le ciel béni,
quelque chose d'heureux chanter dans l'infini.

                                                                   (Victor Hugo)

No calendário chegou hoje, embora para mim ela tenha começado de facto há alguns dias, a 7 de Março, como sempre (me) acontece. Porque este é o meu tempo e a minha estação, são meses de força de alegria, como novas promessas de recomeço e de bem-estar. De Março a Junho sou mais feliz, no novo encanto que encontro em cada dia na luz da manhã ou na brisa da tarde, na claridade que se prolonga devagar, no canto dos pássaros, no cheiro intenso das flores, e na vida a despontar por toda a parte.

domingo, 19 de março de 2017

Direito ao Lazer


Houve em tempos uma Ministra da Educação que entendeu que um professor era um funcionário público como outro qualquer, E, como tal, decretou que deveria passar 35 horas semanais no seu local de trabalho, ignorando a especificidade e a grandeza da tarefa subjacente a essa profissão. O desgaste físico e psicológico que ela implica, também. Depois, inventaram-se umas horas de "trabalho individual",  que podem variar de 7 a 11 horas semanais, consoante as escolas ou nem sei bem o quê, mas que são sempre um número ridículo, considerando o imenso volume de trabalho que é necessário fazer fora da escola - basta pensar no tempo necessário à preparação das aulas, ou à correcção dos testes, embora ele seja muito diverso, também, consoante o tipo de matérias e as disciplinas.
Mas isso não é tudo: só uma mente estreita e um espírito tacanho e mesquinho não é capaz de entender que para que um professor possa fazer bem o seu trabalho precisa, naturalmente, de tempo: para estudar, para ler, para pensar; acima de tudo pensar. E que isso é muito mais valioso que qualquer "formação" feita à pressa e "a martelo", só porque sim.
De então para cá, perdemos todos: os professores, em primeiro lugar, mas também as escolas e, sobretudo, os alunos. E a Educação vai sendo cada vez mais "pobrezinha", porque lhe falta o essencial -  o tempo de lazer.

domingo, 12 de março de 2017

Visitas


Em Lisboa, quem não foi aluno ou professor no Pedro Nunes tem pelo menos um parente próximo, ou um amigo chegado, que passou por lá e sempre recorda esses tempos com nostalgia, contando mil e uma histórias de uma época que já passou, mas deixou marca.
Porque esta é a mais tradicional e conceituada escola da capital, por onde passaram figuras que depois tiveram ou têm ainda relevo nas mais diversas áreas da sociedade portuguesa. E por isso é muito visitada. Por antigos alunos e não só. Por pessoas que se oferecem espontaneamente, ou são convidadas, para lançamentos de livros, para palestras, ou simplesmente para conversarem de si, do mundo, da vida. São muito interessantes estas visitas, uma janela aberta sobre a realidade e a prova que a escola não está fechada sobre si, mas em permanente diálogo com o que existe para além dela, o que parece muito óbvio mas não acontece na maior parte das outras.
Foi assim que na semana passada tivemos connosco o Presidente da República;  e que no dia 21 teremos o Padre Tolentino de Mendonça, entre muitos outros nomes que vão passando pelo Liceu em cada ano.
Mas a visita de amanhã é, para mim, um pouco mais especial, misturando nervosismo e emoção: é um antigo aluno do Liceu que a meu convite regressa à sua antiga "casa" para recordar esses "velhos tempos" e falar da sua vida. Mas é também um amigo de há anos, uma pessoa de quem gosto muito, e cuja voz me tem, a vida toda, embalado os sonhos, apaziguado os desgostos, e tornado mais bonitos os meus dias.Tenho a certeza que vai ser bom...

terça-feira, 7 de março de 2017

Um dia, muitos anos

Há dias que passam devagar e outros que parecem correr mais do que queremos. E assim, somando uns e outros, vão passando muitas horas, dias, anos, fluindo com o tempo.
Este é o dia que eu queria prolongar para poder saboreá-lo em cada instante, como quem prolonga o prazer. Porque me sinto feliz de ter nascido neste dia 7, com toda a simbologia que ele encerra, e gosto sempre de o comemorar em grande estilo.
Com a idade vai-se aprendendo a dar mais valor ao que realmente importa, a aproveitar melhor cada momento de felicidade, a relativizar os erros de percurso e as fragilidades de antes e de agora. Perdem-se as vergonhas quase todas e vive-se mais genuína  e plenamente. Perde-se a frescura e o viço, mas ganha-se a sabedoria e a serenidade. Às vezes ainda volto a sentir-me pequenina, quando a minha mãe passa a mão na minha cara e isso  me sabe a mimo e a colo. Mas na verdade já sou muito antiga, embora raramente sinta o peso dos anos, que o espelho me devolve em certos dias mais sombrios.
Hoje, gosto do que sou, mesmo sabendo-me imperfeita e inquieta, sempre à procura de mais e melhor, porque nunca nada está completo, nem é definitivo. Ver, experimentar e aprender continua a ser o que me move e apaixona. E falta tanta coisa...
Mas hoje, este dia é de festa, e é todo meu. E gosto dele ainda mais por isso mesmo... E por me trazer como presente a euforia da Primavera antecipada, embrulhada no carinho de quem me quer bem...

domingo, 5 de março de 2017

Dois portentos de interpretação



Os dois filmes que vi neste fim de semana valeram acima de tudo pelo que neles é espectáculo de representação, e que faz com que, em grande parte, sejam o motivo que justifica uma ida ao cinema.
Marillon Cotillard é um daqueles raros exemplos da actriz que faz bem o que quer que seja, capaz de tornar interessante qualquer história, mesmo a mais aborrecida e dseinteressante. Porque  há em si tanta força, e intensidade, e entrega, que as suas personagens se tornam sempre imensamente credíveis e humanas, até. É isso que acontece no filme Mal de Pierres, de Nicole Garcia, estupidamente traduzido por "Um instante de amor". O filme, em ambiente taciturno e tons sombrios, é todo Gabrielle, porque Marion Cotillard consegue torná-la sublime na sua loucura meio histérica, que é também desejo de amor e desregramento dos sentidos.
Fences, "Vedações" em português, é também uma adaptação e situa-nos igualmente nos anos 50. E traz-nos Denzel Washington diante e detrás da câmara. num registo de amargura, com Viola Davis também como excelente parceira, dando ambos uma dimensão tão dramática quanto comovente às suas personagens. Recomenda-se, pois...

sexta-feira, 3 de março de 2017

O (meu) mês de Março


Março é amarelo como as flores do dia dos meus anos e azul como o céu da Primavera que está quase a chegar. Março é o meu mês, cheio de sol, de optimismo e de alegria, a marcar uma viragem no tempo, que volta a ser de dias longos e claros, roupas mais leves em cores pastel, perfumes intensos e cabelos soltos na brisa da tarde.
Em Março volto sempre a apaixonar-me pela vida, porque é como se tudo recomeçasse de novo e fosse suave e brando, sem a desmesura que, em vários sentidos, traz o Verão. Nesta altura, a natureza desperta do seu longo sono e renasce; e o meu coração renasce com ela. É nesta altura que o amor apetece ainda mais, que os sentidos se agigantam, que tudo parece possível.
A chegada de Março é sempre para mim motivo de festa e de energia renovada, de luz e de pássaros a cantar, de música serena e de sol a invadir-nos o corpo, de sabores frescos e de uma vontade imensa de partir por aí, à descoberta do mundo. Em Março ganho uma alma nova, e volta o tempo em que sou mais eu. 
Março é uma promessa de felicidade que a cada ano se renova. Ainda bem que Março já chegou...